Exposição “Solo Ancestral” revela vestígios de 2.300 anos em Manaus

Mostra no Centro de Arqueologia de Manaus reúne fotografias de descobertas arqueológicas feitas na área do parque Encontro das Águas Rosa Almeida
Exposição Solo Ancestral revela achados em Manaus

A Prefeitura de Manaus, por meio da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (ManausCult), abriu nesta sexta-feira (11/9) a exposição fotográfica “Solo Ancestral”, no Centro de Arqueologia de Manaus (CAM), localizado no Centro Histórico. A iniciativa integra a programação oficial do #SouManaus Passo a Paço 2026.

A mostra reúne registros das pesquisas arqueológicas realizadas na área onde está sendo construído o parque Encontro das Águas Rosa Almeida, obra da Prefeitura de Manaus. Entre os achados estão vestígios com aproximadamente 2.300 anos, que ajudam a ampliar o conhecimento sobre as populações que habitaram a Amazônia antes da colonização europeia.

A exposição apresenta uma narrativa cronológica por meio de fotografias de cerâmicas, ferramentas de pedra, terras pretas antropogênicas e outros vestígios encontrados durante as pesquisas. O público também pode assistir a um minidocumentário de aproximadamente 10 minutos, que mostra os bastidores das coletas e das análises realizadas em campo.

O diretor-presidente da ManausCult, Márcio Brás, informou que a exposição permanecerá aberta durante cerca de 60 dias e adiantou que novas atividades educativas estão previstas para o espaço.

“O material ficará exposto por aproximadamente 60 dias no Centro de Arqueologia. Para o mês que vem, planejamos uma roda de conversa e um bate-papo para debater a arqueologia em Manaus, os sítios históricos e o dimensionamento de todo esse material”, declarou.

Ocupação pré-colonial

A arqueóloga e curadora da exposição, Vanessa Benedito, destacou que os trabalhos de salvamento arqueológico realizados no local, como parte do processo de licenciamento ambiental das obras do parque, trouxeram descobertas importantes para a historiografia e para a identidade de Manaus.

De acordo com a pesquisadora, as análises laboratoriais apontam que a ocupação pré-colonial da área é mais antiga do que as estimativas anteriores.

“A importância histórica desse trabalho de arqueologia para Manaus está em socializar um conhecimento que pouco se fala. Trazer uma exposição para o centro da cidade dá visibilidade para a história da densa ocupação pré-colonial antes da chegada dos europeus, mostrando a engenhosidade desses povos, como no manejo da floresta e na produção da própria terra preta”, explicou Vanessa Benedito.

Segundo a arqueóloga, estimativas anteriores apontavam uma ocupação de até 1.700 anos. Os novos estudos, porém, recuam essa datação para aproximadamente 2.300 anos, com a identificação de cerâmicas associadas à tradição Pocó-Açutuba.

Preservação do patrimônio arqueológico

As pesquisas e intervenções realizadas no sítio arqueológico foram acompanhadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O arqueólogo do instituto, Marco Túlio Amaral, ressaltou que os trabalhos seguiram as normas previstas na legislação de proteção ao patrimônio arqueológico.

“É um processo que tem tramitado junto ao Iphan e, do ponto de vista legal, tem atendido a todo o nosso ordenamento jurídico que versa sobre o patrimônio arqueológico. Mas para além das leis, ele versa sobre as contribuições que temos para o município, para o Estado do Amazonas e para a nossa ancestralidade. É uma oportunidade de tornar isso visual para a população”, afirmou.

Acervo com 320 mil peças

O Centro de Arqueologia de Manaus possui aproximadamente 320 mil peças arqueológicas, que fazem parte das ações de preservação, pesquisa e difusão da história dos povos que habitaram a região amazônica.

Nesse contexto, a exposição “Solo Ancestral” utiliza a fotografia como ferramenta de divulgação científica e cultural, apresentando registros dos materiais arqueológicos encontrados durante as obras do parque Encontro das Águas Rosa Almeida.

A iniciativa também destaca a importância do acompanhamento arqueológico em obras de grande porte. Esse trabalho permite que materiais identificados durante as intervenções sejam catalogados, estudados, preservados e posteriormente apresentados à sociedade.

Por meio das fotografias, os visitantes podem conhecer parte desses vestígios e, ao mesmo tempo, compreender a dimensão dos processos de pesquisa e preservação necessários para garantir a proteção do patrimônio arqueológico amazônico.

Visitação

A exposição “Solo Ancestral” permanecerá aberta ao público durante os próximos 60 dias, no Centro de Arqueologia de Manaus (CAM), localizado na avenida 7 de Setembro, nº 350, Centro.

A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h.

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