O Núcleo de Telessaúde de Parintins, no Amazonas, completa 20 anos neste domingo (20), consolidando uma trajetória marcada pelo uso da tecnologia para aproximar os serviços de saúde de populações que enfrentam grandes distâncias e dificuldades de deslocamento.
Em 2006, Parintins foi o primeiro município brasileiro a receber um núcleo de telessaúde. Duas décadas depois, a iniciativa continua em expansão e acompanha o movimento nacional de fortalecimento da telessaúde no Sistema Único de Saúde (SUS).
Atualmente, o município conta com 22 pontos de telessaúde, sendo nove em unidades de saúde ribeirinhas, incluindo a unidade fluvial, seis em unidades urbanas da Atenção Primária à Saúde (APS) e sete em serviços especializados.
A estrutura permite a realização de teleconsultas, teleinterconsultas, telediagnóstico e outras modalidades de atendimento, conectando profissionais que atuam no município a uma rede de especialistas.
Atendimento mais próximo das comunidades ribeirinhas
A estratégia tem impacto especialmente nas comunidades ribeirinhas, onde o deslocamento até a sede de Parintins pode levar horas e depende das condições dos rios.
Desde abril deste ano, as nove unidades de saúde ribeirinhas passaram a contar com salas de telessaúde. A medida ampliou a possibilidade de atendimento especializado sem que o paciente precise se deslocar até a área urbana nos casos que podem ser resolvidos remotamente.
“Parintins celebra com muito orgulho duas décadas de Telessaúde, uma iniciativa que vem encurtando distâncias e garantindo equidade no acesso à saúde para cada paciente e profissional de saúde que confia e depende do SUS em nossa região”, afirma Rafael Prado, coordenador de Saúde Digital de Parintins.
A estrutura foi reforçada com o recebimento de 10 kits multimídia de telessaúde do Ministério da Saúde. Sete equipamentos foram destinados à área ribeirinha e três à área urbana.
Em junho, a Portaria GM/MS nº 11.601 autorizou R$ 1,04 milhão para a estruturação do Núcleo de Telessaúde de Parintins, por meio da Ação Estratégica SUS Digital – Telessaúde e do Novo PAC.
Mais de mil teleconsultas em 2026
De janeiro a agosto de 2026, o sistema de monitoramento municipal registrou 1.116 teleconsultas, com a participação de 35 profissionais e produção registrada em 19 unidades de saúde.
No mesmo período, foram realizados 4.120 eletrocardiogramas e 367 exames laboratoriais descentralizados.
Parintins também mantém uma rede de oferta de especialidades por telessaúde, articulada com instituições executantes. O atendimento remoto contempla áreas como cardiologia, pediatria, neurologia, endocrinologia, ginecologia, psiquiatria, oftalmologia, ortopedia e odontologia, entre outras.
Na área de telediagnóstico, o eletrocardiograma já está disponível em diferentes pontos das redes urbana e ribeirinha.
O município também iniciou a realização de exames laboratoriais no próprio local de atendimento, utilizando equipamentos point of care. A implantação começou nas UBS Naza Barbosa e Padre Francisco Luppino, com previsão de expansão para outras comunidades.
Telessaúde avança no SUS
A experiência de Parintins acompanha a expansão da telessaúde no Brasil. A estratégia integra o Programa SUS Digital e o componente SUS Digital do Agora Tem Especialistas, com ações voltadas à ampliação do acesso, à qualificação da Atenção Primária à Saúde e ao fortalecimento das Redes de Atenção à Saúde.
O Edital nº 3/2025 do Ministério da Saúde ampliou a seleção de projetos de telessaúde integrados à Rede de Atenção à Saúde e à Rede Brasileira de Telessaúde.
“Parintins tem um significado especial para a história da telessaúde no SUS. Há 20 anos, o município mostrou que a tecnologia poderia aproximar o cuidado de populações que enfrentam grandes distâncias para acessar os serviços de saúde. Hoje, essa experiência se renova, chega às comunidades ribeirinhas e dialoga com uma estratégia nacional de expansão da telessaúde para que o acesso à atenção especializada esteja cada vez mais próximo de onde as pessoas vivem”, ressaltou a secretária de Informação e Saúde Digital, Maria Aparecida Cina da Silva.
Atualmente, 29 Núcleos de Telessaúde com atuação em âmbito estadual estão credenciados e em funcionamento, enquanto outros 34 estão em implantação. Com a conclusão do processo, serão mais de 60 núcleos distribuídos pelo país, com cobertura das 27 unidades da Federação.
Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, foram registrados 10.385.351 procedimentos de telessaúde no SUS. Os Núcleos de Telessaúde contabilizaram mais de 3 milhões de teleatendimentos em 2.660 municípios.
No mesmo período, a Oferta Nacional de Telediagnóstico, nas modalidades de tele-eletrocardiograma, teledermatoscopia e telerretinografia, emitiu mais de 3,5 milhões de laudos e alcançou 1.850 municípios.
Novo PAC prevê 7 mil kits para teleconsulta
Outra frente de expansão da telessaúde é a implantação de Pontos de Telessaúde nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O Novo PAC prevê a disponibilização de 7 mil kits de equipamentos para teleconsulta até o final de 2026. A seleção alcançou 4.515 municípios. A Portaria GM/MS nº 7.613/2025 formalizou a seleção das propostas para aquisição dos equipamentos no âmbito do programa.
Até 30 de agosto, 3 mil kits haviam sido entregues a 1.565 municípios. Outros 4 mil equipamentos estavam em processo de aquisição, com previsão de início das novas entregas ainda em setembro.
Os equipamentos são destinados à estruturação dos Pontos de Telessaúde nas UBS, especialmente para ampliar o acesso em territórios remotos ou que apresentam maiores dificuldades para acesso à atenção especializada.
A trajetória de Parintins, iniciada há duas décadas, mostra como a incorporação da telessaúde pode contribuir para a organização do cuidado em territórios marcados por grandes distâncias. A tecnologia também permite fortalecer as equipes locais e aproximar serviços especializados das comunidades.





