
Uma mudança começa a ser percebida no canteiro de obras do Parque Encontro das Águas Rosa Almeida, empreendimento da Prefeitura de Manaus. Com o avanço dos anéis de concreto, a estrutura da Oca Niemeyer deixa de ser apenas um conjunto de formas e armaduras e começa a revelar as curvas que marcam o projeto concebido por um dos maiores nomes da arquitetura mundial, Oscar Niemeyer.
Às margens dos rios Negro e Solimões, a Prefeitura de Manaus constrói uma obra concebida pelo arquiteto que transformou o concreto armado em uma linguagem marcada por curvas, leveza e movimento. A Oca será o coração do parque e uma das últimas grandes obras idealizadas por Niemeyer, que morreu em 2012, aos 104 anos.
Na terça-feira (18/8), durante visita técnica do prefeito Renato Junior, foi realizada a concretagem de fechamento da cúpula, concluindo o desenho projetado após a instalação de 11 anéis ao longo dos últimos meses.
Mais do que uma estrutura do novo equipamento urbano, a cúpula representa a chegada ao Amazonas de uma arquitetura reconhecida internacionalmente e estabelece um encontro entre a geometria da arquitetura modernista de Niemeyer e a paisagem amazônica, marcada pelos rios, pela vegetação e pelo horizonte aberto.
Quando o concreto começa a desenhar
A Oca Niemeyer terá uma cúpula com 640 metros quadrados de área e 90 metros de perímetro. A construção é realizada por meio de concretagens sucessivas dos anéis que compõem a estrutura, em um processo que exige precisão na montagem das formas, armaduras e sistemas de segurança.
Para o engenheiro civil Leandro Ladeira, responsável pela obra, a execução exige capacidade técnica e integração entre as equipes, principalmente devido à geometria diferenciada do projeto.
“É uma obra de grande magnitude, com uma complexidade muito grande na geometria da estrutura. Temos uma taxa elevada de armadura e uma execução de formas bastante complexa. É preciso uma integração e uma harmonia muito grande entre as equipes de campo para conseguirmos transformar esse legado arquitetônico em um projeto real, que possa ser utilizado pela sociedade”, afirmou.
Cada novo anel aproximou a estrutura de sua configuração final e revelou gradualmente o desenho curvo característico do projeto. O que antes estava restrito aos desenhos e projetos passou a ocupar fisicamente a paisagem, fazendo com que as linhas da Oca começassem a se destacar no horizonte.
“Além da capacidade técnica que precisamos para executar uma obra dessa, também temos que ter uma integração muito grande da equipe para cumprir toda a rigorosidade do projeto, principalmente na geometria das curvas. É uma obra diferenciada das demais que já executei ao longo da minha carreira e, para mim, como engenheiro civil, significa muito poder contribuir e participar de um projeto desse”, acrescentou Ladeira.
Curvas de Niemeyer encontram a paisagem amazônica
A linguagem arquitetônica de Oscar Niemeyer é marcada pelo uso das curvas em contraponto à predominância das linhas retas. Em seus projetos, o concreto ganha expressão própria e cria formas associadas a movimento e leveza.
Na Oca de Manaus, essa característica se integra a uma paisagem que já possui suas próprias formas, movimentos e contrastes. As curvas projetadas pelo arquiteto passam a compor o cenário formado pelo encontro dos rios Negro e Solimões.
Obra chega a cerca de 70% de conclusão
Para o diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Antonio Peixoto, a obra representa uma intervenção de grande dimensão para Manaus.
“Somos a sétima maior cidade do Brasil e precisamos pensar grande, nacional e mundialmente. Esta obra tem essa grandiosidade, porque está no encontro dos rios Negro e Solimões e carrega a assinatura de Oscar Niemeyer, sendo a primeira obra do arquiteto no Amazonas. Estamos muito felizes, sob o comando do prefeito Renato Junior, em executar esse projeto que representa tanto para a cidade e para o Estado”, afirmou.
Segundo Peixoto, a obra está com aproximadamente 70% de execução. Caso não ocorram novas interferências no cronograma, a previsão é que o empreendimento seja entregue em dezembro deste ano.
Oca será espaço cultural multiuso
Inspirada nas formas circulares das ocas indígenas e nas curvas características da arquitetura de Niemeyer, a estrutura contará com dois salões de exposição e funcionará como um espaço cultural multiuso.
A proposta é receber exposições, eventos, atividades artísticas e diferentes experiências culturais, transformando a Oca em um ponto de encontro entre arquitetura, arte e conhecimento.
A escolha das formas circulares também estabelece uma conexão simbólica com a cultura amazônica. A referência às ocas indígenas ganha uma interpretação contemporânea na linguagem modernista de Niemeyer, inserindo a estrutura em um território de forte identidade cultural.
A marca de Niemeyer em Manaus
Oscar Niemeyer morreu aos 104 anos, após construir uma trajetória que o consolidou como um dos principais nomes da arquitetura modernista do século 20. Sua produção está presente em diferentes cidades brasileiras e também no exterior, com uma linguagem marcada pelo uso das curvas.
Na Oca do Parque Encontro das Águas, essa linguagem arquitetônica será inserida em um cenário diferente de grande parte das obras do arquiteto. Em Manaus, o projeto concebido por Niemeyer encontra a paisagem amazônica e o encontro dos rios Negro e Solimões.
Quando concluída, a cúpula será parte do novo parque e também um elemento visível da paisagem urbana de Manaus, levando as curvas de Niemeyer para um dos cenários naturais mais emblemáticos do Amazonas.

