
Nesta quarta-feira (19), Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, o Sistema Único de Saúde (SUS) contabiliza 701.682 atendimentos realizados pelas equipes de Consultório na Rua (eCR) em 2025. Somente no primeiro semestre de 2026, foram registrados outros 330.583 atendimentos.
A data, celebrada em 19 de agosto, remete ao episódio conhecido como Massacre da Sé, ocorrido na madrugada de 19 de agosto de 2004, na Praça da Sé, em São Paulo. O episódio tornou-se um marco na mobilização pela garantia de direitos e pela implementação de políticas públicas voltadas à população em situação de rua.
Consultório na Rua está presente em todo o país
Atualmente, o Ministério da Saúde cofinancia 337 equipes de Consultório na Rua, que reúnem mais de 3,2 mil profissionais e estão presentes nas 27 unidades da Federação.
As equipes atuam diretamente nos territórios onde vivem e circulam pessoas em situação de rua, oferecendo serviços como vacinação, testagem, atendimento em saúde, acolhimento e acompanhamento multiprofissional.
A composição das equipes pode incluir médicos, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais.
O trabalho é realizado de forma integrada às equipes de Saúde da Família e de Saúde Bucal, além dos demais serviços que integram a Rede de Atenção à Saúde.
Atendimento considera vulnerabilidades sociais
Entre as condições de saúde que exigem atenção estão a tuberculose, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), transtornos mentais e problemas relacionados ao uso prejudicial de álcool e outras drogas.
Além dos aspectos clínicos, o atendimento considera as condições de vulnerabilidade social enfrentadas por essa população.
“Grande parte dessas pessoas vivenciou rompimentos de vínculos familiares e passa por sofrimentos psíquicos relacionados às condições precárias de moradia. Isso exige das equipes de Consultório na Rua uma escuta qualificada e um cuidado integral e intersetorial, com o objetivo de promover a autonomia dessas pessoas”, destaca o coordenador de Atenção às Populações em Situação de Vulnerabilidade, Fernando Pessoa de Albuquerque.
Nova política nacional fortalece atenção à população em situação de rua
Em junho deste ano, entrou em vigor a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População em Situação de Rua (PNAIS-Rua).
A iniciativa estabelece princípios, diretrizes, responsabilidades dos entes federativos e prioridades para a organização das ações e dos serviços de saúde destinados a essa população no SUS.
A política também define parâmetros para a atuação das Redes de Atenção à Saúde, a coordenação e a continuidade do cuidado, além da articulação com outras políticas públicas voltadas à população em situação de rua.
Encontro nacional debate estratégias de cuidado
Entre os dias 10 e 12 de agosto, profissionais de saúde, gestores, pesquisadores, estudantes, integrantes de movimentos sociais e representantes da sociedade civil participaram do 9º Encontro Nacional da Rede de Consultórios na Rua, realizado em Foz do Iguaçu (PR).
O encontro promoveu debates, troca de experiências e apresentação de práticas de cuidado desenvolvidas nos estados e territórios brasileiros.
Também estiveram em pauta questões relacionadas ao acesso aos serviços de saúde, acolhimento e continuidade do atendimento à população em situação de rua.




