domingo, agosto 23

Centro Histórico de Manaus é tema de debates sobre preservação e novos usos

O Centro Histórico de Manaus foi tema de dois encontros realizados na sexta-feira (21), dentro da programação do “Mês do Patrimônio”. As atividades reuniram gestores do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), da Prefeitura de Manaus, profissionais e estudantes de arquitetura e urbanismo, além de representantes do poder público.

Os encontros tiveram como foco a troca de experiências sobre preservação, gestão e reabilitação de imóveis na região central da capital amazonense.

Manaus e Rio de Janeiro trocam experiências

Durante a manhã, o Seminário de Preservação do Centro Histórico promoveu uma troca de experiências entre Manaus e Rio de Janeiro. Participaram do encontro Valéria Hazan, da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento do Rio de Janeiro, e o arquiteto e urbanista Pedro Paulo, vice-presidente do Implurb.

Pedro Paulo apresentou ações e projetos desenvolvidos pela Prefeitura de Manaus voltados à recuperação e valorização da região central, entre eles o programa “Nosso Centro”.

A iniciativa reúne intervenções em imóveis e espaços públicos do Centro Histórico, associando a preservação do patrimônio à criação de novos usos e à retomada da vitalidade urbana.

“Nós apresentamos o ‘Nosso Centro’, fazendo um link sobre a questão da preservação de patrimônio histórico. E todas as nossas intervenções que estão em imóveis abandonados, de posse da prefeitura, foram mostradas”, explicou Pedro Paulo.

Rua Gastronômica será implantada na Ferreira Pena

Um dos projetos que mais despertou interesse durante o seminário foi o da primeira “Rua Gastronômica” de Manaus, que será implantada na rua Ferreira Pena.

A proposta, lançada neste mês, prevê intervenções urbanísticas e tem obras previstas para começar nesta segunda-feira (24). Entre os pontos discutidos estão a melhoria do acesso, a caminhabilidade e a ampliação dos usos do espaço para além do período noturno.

“A ideia é que ela funcione no período noturno e de outro, não só com a parte de alimentação, mas com outras atividades, promovendo e ampliando a diversidade de uso”, destacou Pedro Paulo.

A proposta segue a concepção do programa “Nosso Centro”, que busca preservar as características históricas da região e, ao mesmo tempo, estimular novas formas de ocupação, circulação e atividade econômica.

Segundo o vice-presidente do Implurb, a primeira etapa do programa está praticamente concluída. Entre as ações em andamento está a obra do Casarão de São Vicente, além de outras intervenções previstas.

Patrimônio histórico ganha novos usos

No período da tarde, a programação contou com uma roda de conversa sobre reabilitação de imóveis, apresentando iniciativas que já contribuem para movimentar o Centro Histórico de Manaus.

Entre os exemplos apresentados estiveram o Centro Casarão de Ideias, instalado na antiga escola Saldanha Marinho; o Mercado de Origem, no complexo Booth Line; o Bistrô Senac; o projeto da Faculdade de Gastronomia; além de projetos aprovados e em execução voltados à habitação na região central.

As experiências apresentadas mostraram que a preservação do patrimônio não significa manter a cidade congelada no tempo. A recuperação de imóveis históricos pode estar associada à cultura, gastronomia, educação, moradia, atividades econômicas e outras formas de ocupação capazes de devolver vitalidade aos espaços.

Gestão compartilhada é destacada

A programação também reforçou a importância da atuação conjunta entre diferentes órgãos e esferas do poder público.

Para a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Beatriz Calheiros, a aproximação entre instituições, profissionais e estudantes é fundamental para fortalecer a gestão compartilhada do patrimônio cultural.

“A gente precisava mostrar para a comunidade, para graduandos e profissionais, essa relação da gestão compartilhada. São responsabilidades, obrigações, mas também o compromisso do diálogo”, afirmou.

Segundo Beatriz, a integração é especialmente importante para estudantes e profissionais em formação que, futuramente, estarão envolvidos em projetos e intervenções em áreas protegidas.

“É muito importante que quem está nesse processo de formação saiba que ele vai poder contar tanto com o poder público municipal quanto com o poder público em âmbito federal nessa gestão do patrimônio cultural”, destacou.

A superintendente também ressaltou que a conexão entre os órgãos precisa chegar à sociedade, criando espaços para esclarecimento de dúvidas e compartilhamento de informações.

Preservação com pertencimento

As discussões realizadas durante o “Mês do Patrimônio” reforçaram uma das premissas do trabalho de preservação: cuidar do patrimônio histórico também significa garantir que esses espaços permaneçam integrados à vida da cidade.

Edificações, ruas, praças e conjuntos urbanos do Centro Histórico carregam diferentes camadas da formação de Manaus e preservam referências culturais e afetivas de diferentes gerações.

Nesse cenário, ações de reabilitação e criação de novos usos podem aproximar a população desses espaços, fortalecer o sentimento de pertencimento e criar novas possibilidades para uma região que concentra parte importante da memória da capital amazonense.

Mais do que preservar o passado, os debates mostram que cuidar do Centro Histórico também significa planejar seu futuro, mantendo a memória viva e criando condições para que os espaços continuem sendo ocupados, utilizados e vivenciados pelos manauaras.

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