sábado, abril 25

Projeto Ver-SUS promove imersão de estudantes na saúde ribeirinha de Manaus

Pela primeira vez, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), integra o projeto Vivências e Estágios na Realidade do SUS (Ver-SUS). A iniciativa nacional proporciona a estudantes e residentes de saúde uma imersão profunda nos territórios amazônicos, permitindo que conheçam de perto as práticas e os desafios do Sistema Único de Saúde em áreas remotas.

O grupo, composto por 11 participantes, iniciou as atividades na última segunda-feira (6/4), acompanhando a rotina da Unidade de Saúde da Família Rural (USFR) Nossa Senhora do Livramento. Localizada a 20 quilômetros da área urbana, a unidade atende comunidades que dependem de logística fluvial, exigindo uma adaptação do cuidado assistencial à realidade local.

Integração entre ensino, serviço e comunidade

O programa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Opas e a Rede Unida. O foco principal é fortalecer a formação profissional através do contato direto com o cotidiano das populações tradicionais. Segundo a sanitarista Thalita Guedes, coordenadora da Esap, o ganho desta edição é a interação em diferentes espaços entre alunos de graduação, cursos técnicos e residentes.

“Nosso intuito é mostrar que, além da cura, o SUS atua na prevenção e na promoção da saúde, o que significa respeitar a cultura local e os modos de vida das populações”, destacou Thalita. Na quarta-feira (8/4), os “viventes” acompanharam atendimentos nas comunidades de Julião e Tupé, vivenciando o cuidado intercultural na prática.

Vivências que transformam a prática profissional

A programação, que segue até sábado (11/4), inclui rodas de conversa sobre medicina indígena e controle social. Para o facilitador e psicólogo Vitor Amazonas, a experiência é transformadora. Ele ressalta que o contato com movimentos sociais e comunidades rurais amplia a visão sobre os princípios de universalidade e equidade do sistema.

A estudante de enfermagem Milena Reis, vinda da Bahia, compartilha do mesmo entusiasmo. Para ela, observar como o atendimento à saúde se molda às necessidades de indígenas e ribeirinhos é uma lição valiosa. “É uma experiência enriquecedora ver como o SUS é vivo e se adapta para garantir o acesso a todos, independentemente da localização geográfica”, concluiu.

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