Duzentos sistemas alternativos de tratamento de água serão implantados em comunidades quilombolas das regiões Norte e Nordeste. A iniciativa também prevê a capacitação de pelo menos 2 mil mulheres para participar diretamente da operação, manutenção e vigilância da qualidade da água.
As ações estão previstas no Acordo de Cooperação Técnica (ACT) nº 41/2026, firmado entre a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o Ministério das Mulheres.
Com duração prevista de 24 meses, entre 2026 e 2028, o projeto tem como uma das principais metas estabelecer a gestão comunitária dos sistemas implantados. A proposta é preparar mulheres quilombolas para acompanhar o funcionamento das unidades e identificar possíveis necessidades de manutenção.
A implementação do acordo foi divulgada na terça-feira (8), durante reunião virtual do II Fórum para Diálogo da Promoção de Estratégias de Fortalecimento de Políticas Públicas para as Mulheres Quilombolas.
Gestão comunitária da água
Um dos desafios enfrentados pelos sistemas de abastecimento de água em áreas rurais é garantir a continuidade da gestão depois da implantação das unidades.
Nesse contexto, a formação das mulheres quilombolas busca ampliar a participação das comunidades na operação dos equipamentos e no controle social dos sistemas.
A expectativa é que a capacitação permita uma resposta mais rápida quando forem identificadas necessidades de manutenção, além de fortalecer a organização comunitária nos territórios.
Sistema Salta-Z
A tecnologia prevista no projeto é a Solução Alternativa Coletiva Simplificada de Tratamento de Água com Zeólita, conhecida como Salta-Z.
Desenvolvida por técnicos da Funasa, a tecnologia é destinada principalmente a pequenas comunidades que não possuem acesso a sistemas convencionais de abastecimento de água.
O sistema utiliza a filtração com zeólita e pode ser indicado para águas que apresentam turbidez ou concentrações elevadas de ferro e manganês. A unidade reúne equipamentos de tratamento e armazenamento e deve ser adaptada às características da fonte de água utilizada em cada comunidade.
Antes do início da operação, é necessário realizar a análise da água e capacitar os operadores responsáveis por cada unidade. Após a instalação, o tratamento deverá ser monitorado para verificar se a água atende aos padrões de potabilidade.
Escolha das comunidades
As comunidades atendidas serão definidas a partir da identificação de territórios quilombolas que não possuem acesso adequado à água destinada ao consumo humano.
O Ministério das Mulheres ficará responsável por reunir informações sociais e territoriais das localidades, enquanto a Funasa fará a avaliação técnica das condições necessárias para a implantação dos sistemas.
Entre os aspectos analisados estarão a qualidade da água disponível, as possibilidades de captação, o número de moradores e as condições existentes para garantir a manutenção e o funcionamento dos equipamentos.
A partir dessa avaliação, será definido se a Salta-Z é a tecnologia mais adequada para determinada comunidade ou se outra solução deverá ser adotada.
Funasa e Ministério das Mulheres também atuarão na mobilização de parcerias com instituições públicas e privadas para buscar alternativas que contribuam para viabilizar economicamente a implantação dos sistemas.
Capacitação de mulheres quilombolas
As mulheres quilombolas selecionadas para o projeto receberão capacitação técnica para atuar na operação e manutenção dos sistemas, na gestão comunitária e na vigilância da qualidade da água.
A formação também deverá abordar temas relacionados ao controle social e à organização coletiva nos territórios.
A Funasa será responsável pelas atividades técnicas de planejamento, definição das soluções mais adequadas e preparação das participantes para operação, manutenção e monitoramento das unidades.
Já o Ministério das Mulheres participará da identificação e mobilização das comunidades, além de desenvolver ações relacionadas à organização coletiva e à participação feminina na gestão dos sistemas.
Primeira etapa terá 40 comunidades
A implantação deverá começar por 40 comunidades quilombolas. Essa primeira etapa está relacionada a uma cooperação entre a Funasa e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE), que envolve outras 150 comunidades e ainda está em fase de elaboração.
Depois da implantação, Funasa e Ministério das Mulheres deverão acompanhar o funcionamento das unidades, a qualidade da água e a gestão comunitária.
O monitoramento será utilizado para verificar o cumprimento das metas estabelecidas no acordo e avaliar as condições necessárias para a continuidade dos sistemas de abastecimento nos territórios quilombolas.





