A Prefeitura de Parintins, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Sedema), participou do 6º Curso de Conservação de Quelônios e Monitoramento de Praias, promovido pelo Projeto Pé-de-Pincha.
Realizada no dia 12 de setembro, a capacitação reuniu quase 50 comunitários de 11 comunidades do município para alinhar procedimentos de coleta e manejo de ovos durante a temporada de verão.
Participaram representantes das comunidades Murituba, Miriti, Parintinzinho, Laguinho, Varre-Vento, São Pancrácio, Maranhão, Parananema, Paraíso do Barro, Juruá e Terra Preta do Mamuru.
O encontro também promoveu a troca de conhecimentos entre comunitários, técnicos do projeto e instituições parceiras, entre elas a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o Instituto Federal do Amazonas (Ifam), o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam) e a Sedema.
União entre comunidades e instituições
O secretário municipal de Meio Ambiente, Wescley Tavares, destacou a importância da participação das comunidades nas ações de proteção dos quelônios e da atuação conjunta entre poder público, instituições e moradores.
“A Prefeitura de Parintins, por meio da SEDEMA, reconhece e apoia o trabalho das comunidades na proteção e conservação dos quelônios. Uma iniciativa como a do Projeto Pé-de-Pincha mostra a importância da união entre comunidades, instituições de pesquisa, órgãos ambientais e poder público para garantir a reprodução e conservação dessas espécies tão importantes para nossa biodiversidade e para a cultura amazônica”, afirmou.
Segundo o professor Paulo Henrique, do curso de Zootecnia do ICSEZ/Ufam Parintins, a capacitação representa o início das atividades de conservação durante o período de verão.
“Foi um curso muito proveitoso. Tivemos quase 50 comunitários e muita troca de conhecimento. Foi um momento importante para alinhar as ações de conservação das nossas tartarugas amazônicas e iniciar os trabalhos deste período de verão”, explicou.
Manejo dos ninhos e soltura dos filhotes
Após a coleta e o manejo dos ninhos, os ovos passam por um período de incubação que dura aproximadamente entre 45 e 60 dias, conforme explicou o professor.
Depois do nascimento, os filhotes permanecem em berçários até que a carapaça esteja endurecida. Na sequência, os animais são devolvidos à natureza, geralmente nos meses de janeiro e fevereiro.
O trabalho busca aumentar as chances de sobrevivência dos filhotes e contribuir para a conservação das espécies de quelônios nas áreas monitoradas pelas comunidades.
Proteção ambiental
Tracajás, tartarugas, iaçás e outras espécies de quelônios são protegidos pela legislação ambiental. A captura, o abate, a comercialização e a coleta ilegal de ovos são proibidos e podem resultar em multas de R$ 500 a R$ 5 mil por indivíduo, além de outras penalidades previstas na legislação.
A atuação das comunidades é considerada fundamental para o monitoramento das praias, identificação e proteção dos locais de desova e acompanhamento dos ninhos durante o período de reprodução.
Projeto atua há mais de duas décadas
Criado em 1999, o Projeto Pé-de-Pincha desenvolve ações de conservação participativa de quelônios na Amazônia há mais de duas décadas.
Em Parintins, o trabalho é realizado desde o início dos anos 2000, com participação direta das comunidades na proteção das praias, no manejo dos ninhos e na soltura dos animais.
A capacitação realizada em setembro integra as atividades de preparação para mais uma temporada de conservação, fortalecendo a participação comunitária na proteção da fauna amazônica.





