O Ministério da Saúde apresentou, nesta quarta-feira (23), em Nova York, nos Estados Unidos, experiências do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionadas à integração do cuidado à menopausa na Atenção Primária à Saúde (APS) e à atenção às pessoas com doenças raras.
As iniciativas foram apresentadas pelo secretário-executivo do Ministério da Saúde, Adriano Massuda, durante dois eventos realizados paralelamente à Semana de Alto Nível da 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas.
As agendas também abordaram temas como triagem neonatal, sequenciamento genético, acesso a tratamentos, produção de tecnologias de saúde e cobertura universal.
Cuidado à menopausa
Na primeira agenda, intitulada “Do Local ao Global: Acelerando a Pesquisa, as Políticas e o Cuidado na Menopausa”, o debate tratou de estratégias para integrar de forma permanente a atenção à menopausa aos sistemas de saúde, com foco na Atenção Primária à Saúde.
Também foram discutidas a ampliação das pesquisas, a qualificação dos profissionais e o fortalecimento de políticas públicas relacionadas ao tema.
Massuda destacou a importância da APS para a incorporação desse cuidado ao SUS. Por ser a principal porta de entrada do sistema, a atenção primária permite o acompanhamento contínuo das mulheres nos territórios, reunindo ações de promoção da saúde, prevenção, identificação de necessidades, atendimento clínico e encaminhamento para outros serviços quando necessário.
“O cuidado equitativo exige reconhecer as diferentes realidades vivenciadas pelas mulheres e responder às suas necessidades de forma integral e centrada na pessoa. Isso significa também superar a histórica invisibilidade dessas necessidades sem transformar um processo fisiológico em doença”, afirmou o secretário-executivo.
Segundo Massuda, o cuidado deve considerar as diferentes formas como as mulheres vivenciam a menopausa. Entre as medidas estão orientações sobre hábitos de vida saudáveis, saúde mental, autocuidado e tratamentos adequados quando indicados.
Entre as iniciativas em desenvolvimento no Brasil estão ações de formação de profissionais, elaboração de orientações nacionais para o cuidado durante a transição menopausal e a menopausa e disseminação de boas práticas no SUS.
O Ministério da Saúde também defende a atuação integrada entre União, estados e municípios, gestores e trabalhadores do SUS, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas e as próprias mulheres.
Doenças raras e cobertura universal
Na sequência da programação, Massuda participou do evento “Da Política ao Impacto: Avançando na Cobertura Universal de Saúde por meio de Ações em Doenças Raras”, organizado pela Rare Diseases International (RDI).
O encontro reuniu representantes de governos, organizações da sociedade civil, pessoas com doenças raras e outros integrantes do setor de saúde global para discutir medidas voltadas ao diagnóstico, cuidado e acesso a tratamentos.
Durante o evento, o secretário-executivo defendeu a inclusão das pessoas com doenças raras nas estratégias de cobertura universal de saúde.
Para o Brasil, essa abordagem envolve garantir diagnóstico oportuno, acompanhamento contínuo e acesso equitativo às tecnologias e aos tratamentos disponíveis.
“Para o Brasil, as doenças raras são parte integrante da cobertura universal de saúde. Nossa experiência mostra que torná-las uma prioridade global deve caminhar junto com sistemas de saúde capazes de oferecer diagnóstico oportuno, cuidado contínuo e acesso equitativo ao tratamento”, afirmou Massuda.
O Brasil possui, desde 2014, uma Política Nacional de Atenção Integral às Pessoas com Doenças Raras no SUS. Atualmente, a rede especializada conta com 60 serviços habilitados para atendimento e acompanhamento de pessoas com diferentes condições raras.
Diagnóstico precoce e sequenciamento genético
Entre as ações brasileiras apresentadas estão o Programa Nacional de Triagem Neonatal e a implementação do Sequenciamento Completo do Exoma na rede pública.
O exame permite investigar alterações genéticas relacionadas a diferentes doenças e pode contribuir para reduzir o tempo percorrido por pacientes e familiares até a identificação de um diagnóstico.
Outro ponto discutido foi o acesso a terapias inovadoras e o desafio de incorporar novas tecnologias mantendo a sustentabilidade dos sistemas universais de saúde.
Entre as estratégias mencionadas estão mecanismos de compartilhamento de risco para o acesso ao Zolgensma, utilizado no tratamento da atrofia muscular espinhal (AME), além de iniciativas de desenvolvimento clínico, transferência de tecnologia e fortalecimento da produção nacional.
No cenário internacional, Massuda afirmou que o Brasil pretende ampliar o compartilhamento de experiências e a cooperação, inclusive por meio da cooperação Sul-Sul, em áreas como triagem neonatal, organização das redes de atenção e acesso a tecnologias.
A discussão ocorre após a Assembleia Mundial da Saúde aprovar, em 2025, a primeira resolução da Organização Mundial da Saúde (OMS) dedicada às doenças raras. A medida reconheceu o tema como prioridade global e estabeleceu a elaboração de um plano de ação para os próximos dez anos.
Brasil destaca experiência no combate ao HIV/aids
Ainda nesta quarta-feira (23), Massuda participou do evento “Liderança Africana e Produção Regional de Medicamentos de Ponta para Aids e Outras Pandemias”, promovido pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS).
No encontro, o Brasil apresentou sua experiência na resposta ao HIV/aids, baseada no SUS, na oferta universal e gratuita de medicamentos e na participação da sociedade civil.
O país também defendeu a ampliação do acesso a medicamentos e o fortalecimento da produção regional de tecnologias de saúde.
As agendas fazem parte da participação do Ministério da Saúde na Semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas. A programação da pasta em Nova York segue até sexta-feira (25), com debates sobre diferentes desafios da saúde global e o fortalecimento da cooperação internacional.





