Uma nova tecnologia está sendo testada em embarcações de pesca com o objetivo de reduzir ruídos e emissões durante as operações. A iniciativa é desenvolvida pelo Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e integra esforços para promover a transição energética da atividade pesqueira nas regiões Sul e Sudeste do país.
Em Torres, no Rio Grande do Sul, representantes das instituições acompanharam uma das etapas do projeto, que prevê a utilização de tecnologias de energia limpa em embarcações empregadas na pesca de emalhe e de arrasto.
O projeto utiliza motores de guincho movidos a energia elétrica e busca avaliar, na prática, os benefícios da tecnologia para os pescadores. Entre os objetivos estão a redução das emissões e dos níveis de ruído durante as operações.
Além dos aspectos ambientais, a iniciativa considera as características das embarcações e as condições socioeconômicas das comunidades pesqueiras. A proposta é desenvolver soluções tecnológicas que possam ser incorporadas à rotina dos trabalhadores sem desconsiderar as particularidades da atividade.
Tecnologia é testada com participação dos pescadores
Durante a atividade realizada em Torres, foram apresentados os principais resultados alcançados até o momento e as perspectivas para as próximas etapas do projeto.
Um dos avanços foi a instalação de um novo equipamento na embarcação do pescador Benjamin Alves, que participou dos testes da tecnologia.
Para o professor Federico Sucunza, um dos coordenadores da iniciativa, a experiência demonstra a importância da integração entre conhecimento científico e saberes tradicionais dos pescadores para o desenvolvimento de soluções voltadas às necessidades reais da pesca artesanal.
“Foi um desafio muito grande conseguir trazer essa tecnologia e instalar nas embarcações de pesca artesanal. Os benefícios são muitos, como a redução do ruído e das emissões, além de todo o impacto positivo que isso pode ter para o pescador”, destacou.
Segundo o professor, a participação dos pescadores no desenvolvimento e na avaliação dos equipamentos foi fundamental para aprimorar a solução.
“É o conhecimento do pescador que vai garantir que essa tecnologia desenvolvida na universidade seja aplicada durante o trabalho”, afirmou.
Federico também destacou a importância da colaboração entre universidade, comunidades pesqueiras e poder público para o desenvolvimento da iniciativa.
“Essa colaboração entre universidade, pesca e comunidade, junto com o apoio do Ministério da Pesca, foi fundamental”, disse.
Redução de ruído pode melhorar condições de trabalho
A instalação do novo motor representa também uma etapa na busca por melhores condições de trabalho a bordo. Entre os benefícios observados está a redução do ruído durante a operação, aspecto destacado pelo pescador Benjamin Alves, primeiro profissional a receber o equipamento no âmbito do projeto.
Além da redução de ruídos e emissões, a iniciativa pretende avaliar a viabilidade da tecnologia e sua adaptação às diferentes condições encontradas na atividade pesqueira.
A experiência realizada em Torres poderá contribuir para o aperfeiçoamento dos equipamentos e servir de base para futuras ações relacionadas à transição energética no setor.
Pesca e sustentabilidade
A iniciativa está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e aos compromissos assumidos pelo Brasil relacionados ao enfrentamento das mudanças climáticas.
A parceria entre o MPA e a UFJF busca contribuir para o desenvolvimento de soluções tecnológicas capazes de tornar a atividade pesqueira mais sustentável, com redução de emissões e impactos ambientais.
Ao mesmo tempo, o projeto considera as condições de trabalho e a realidade socioeconômica das comunidades que dependem da pesca, buscando conciliar inovação tecnológica, sustentabilidade e as necessidades dos trabalhadores do setor.





