Dia da Visibilidade Bissexual reforça combate à bifobia e à invisibilidade

Celebrada em 23 de setembro, data criada em 1999 destaca a história do movimento bissexual e a necessidade de combater preconceitos e violações de direitos
Visibilidade bissexual é celebrada em 23 de setembro e reforça o combate à bifobia, ao preconceito e à invisibilidade.

O Dia Internacional da Visibilidade Bissexual é celebrado em 23 de setembro e, em 2026, completa 27 anos. A data foi criada em 1999 pelos ativistas Wendy Curry, Michael Page e Gigi Raven Wilbur e teve sua primeira celebração associada à conferência da então International Lesbian and Gay Association (ILGA), realizada em Joanesburgo, na África do Sul.

A data surgiu como uma forma de ampliar o reconhecimento das pessoas bissexuais e chamar atenção para situações de bifobia, preconceito e invisibilidade. Ao longo dos anos, o 23 de setembro passou a ser celebrado em diferentes países como um marco de visibilidade e de reivindicação de direitos.

O que é bissexualidade

Para compreender a importância da data, é necessário considerar a própria definição de bissexualidade. Segundo a ativista e escritora Robyn Ochs, o termo pode ser compreendido como a possibilidade de atração romântica e/ou sexual por pessoas de mais de um gênero, sem que essa atração precise ocorrer ao mesmo tempo, da mesma maneira ou com a mesma intensidade.

A definição também ajuda a combater uma série de estereótipos associados à orientação sexual, entre eles a ideia de que uma pessoa bissexual estaria necessariamente indecisa ou precisaria escolher entre a heterossexualidade e a homossexualidade.

Marcos históricos do movimento bissexual

Um dos documentos importantes para a história do movimento é o Manifesto Bissexual, publicado em 1990 na revista Anything That Moves, editada pela Bay Area Bisexual Network, de São Francisco, nos Estados Unidos.

O texto contestava a associação da bissexualidade à confusão, promiscuidade ou infidelidade e defendia o reconhecimento da diversidade das experiências bissexuais.

No Brasil, a organização do movimento também teve marcos importantes. Em 2005, durante o XII Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas e Transgêneros (EBGLT), foi criado o Coletivo Brasileiro de Bissexuais (CBB), apontado como a primeira organização bissexual de âmbito nacional no país.

O coletivo atuou até 2007 e contribuiu para a articulação de outras iniciativas voltadas à população bissexual.

Entre essas iniciativas está a Frente Bissexual Brasileira, que lançou, em 25 de setembro de 2021, o Manifesto Bissexual Brasileiro durante a segunda edição do Festival Bi+.

O documento aborda a bifobia e o apagamento das pessoas bissexuais e reivindica políticas públicas de saúde, educação e trabalho que considerem as necessidades dessa população.

Bifobia e impactos na saúde

Apesar dos avanços na organização e na visibilidade do movimento, pessoas bissexuais continuam enfrentando situações de preconceito e invisibilidade.

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania cita estudo realizado em 2019 pela Universidade de Stanford que apontou uma associação entre a exposição à bifobia e maior possibilidade de problemas de saúde mental entre pessoas bissexuais. Entre as formas de preconceito estão situações em que a pessoa é pressionada a se identificar exclusivamente como heterossexual ou homossexual, contribuindo para o apagamento de sua orientação sexual.

A Organização das Nações Unidas também já destacou que o 23 de setembro busca chamar atenção para os obstáculos enfrentados pela população bissexual e para a necessidade de garantir o reconhecimento de seus direitos.

Registros de violações no Brasil

No Brasil, dados da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos também registram ocorrências envolvendo pessoas bissexuais.

Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em 2026 foram registradas 800 violações de liberdade sexual contra pessoas bissexuais. Os dados reforçam a existência de situações que podem ser denunciadas aos canais oficiais de proteção dos direitos humanos.

Como denunciar casos de discriminação e violência

Casos de discriminação, violência ou outras violações de direitos humanos podem ser denunciados gratuitamente pelo Disque Direitos Humanos, o Disque 100.

O serviço funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados, e recebe denúncias que são encaminhadas aos órgãos responsáveis.

Canais do Disque 100

  • Telefone: disque 100, gratuitamente, de qualquer telefone fixo ou celular;
  • WhatsApp: (61) 99611-0100;
  • Telegram: procure por “DireitosHumanosBrasil” no aplicativo;
  • Libras: atendimento por videochamada em Língua Brasileira de Sinais;
  • E-mail: [email protected];
  • Atendimento presencial: Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, em Brasília (DF).

A data de 23 de setembro, portanto, reúne a celebração da diversidade bissexual e a discussão sobre os desafios relacionados ao preconceito, à invisibilidade e à garantia de direitos.

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