Defensoria do Amazonas oferece aulas de defesa pessoal para mulheres vítimas de violência

Projeto-piloto do Nudem ensina técnicas básicas de autodefesa e busca ampliar a segurança e a autonomia de mulheres atendidas pelo núcleo; encontros serão realizados mensalmente.
Defesa pessoal para mulheres vítimas de violência

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPAM) iniciou um projeto-piloto de aulas de defesa pessoal voltado a mulheres vítimas de violência doméstica. A primeira atividade foi realizada na sexta-feira (25), no auditório do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem), localizado na avenida André Araújo, nº 7, no bairro Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.

A iniciativa tem como objetivo ensinar noções básicas de defesa pessoal para ajudar as participantes a reconhecer situações de risco, reagir diante de possíveis agressões e buscar oportunidades seguras de afastamento.

O encontro reuniu mulheres assistidas pelo núcleo e servidoras que atuam diretamente no atendimento às vítimas. A proposta é que as aulas sejam realizadas regularmente, sempre na última sexta-feira de cada mês, como uma atividade complementar ao trabalho de orientação e assistência jurídica desenvolvido pelo Nudem.

O projeto surgiu a partir das experiências das equipes no atendimento a mulheres vítimas de violência doméstica. Durante os acompanhamentos, foram identificadas situações em que conhecimentos básicos de autodefesa podem ajudar a vítima a se desvencilhar de uma agressão e ganhar tempo para buscar ajuda.

De acordo com a defensora pública Karlla Queiroz, coordenadora da iniciativa, a proposta é oferecer orientações práticas que possam ser utilizadas em situações de risco, até que a mulher consiga se afastar do agressor e procurar a rede de proteção.

“Essa foi uma necessidade que a gente identificou durante o atendimento, de que, de repente, uma noção básica de defesa pessoal poderia evitar uma agressão mais grave, poderia cessar de uma forma mais imediata aquela violência para dar tempo de ela buscar a rede de proteção”, destacou.

A defensora também ressaltou que o projeto busca fortalecer o vínculo entre as mulheres atendidas e a instituição, demonstrando que elas podem contar com o apoio do núcleo.

“Então, a nossa proposta foi mostrar para mulheres vítimas de violência doméstica que nos procuram, que buscam uma medida protetiva, que elas não estão sozinhas. Uma vez que elas entram por essa porta, procuram o Nudem, elas podem contar com a gente”, acrescentou.

Técnicas de defesa pessoal na prática

A primeira aula foi ministrada pela professora de Jiu-Jitsu e faixa-preta Indara Dias, que apresentou técnicas básicas para ajudar as participantes a se desvencilharem de situações de agressão.

Durante o treinamento, foram ensinados movimentos para escapar de agarramentos, pegadas nas mãos, puxões de cabelo e outras formas de aproximação física. As participantes também aprenderam técnicas de queda, maneiras de se levantar com segurança, criação de espaço entre a vítima e o agressor e estratégias para fugir.

Segundo Indara Dias, os exercícios foram adaptados para que mulheres com diferentes níveis de preparo físico e sem experiência anterior em artes marciais pudessem acompanhar as atividades.

“Durante a aula, apresentamos técnicas de queda, formas de se levantar e se desvincular de um possível agressor, além de movimentos utilizados nas artes marciais que também podem ser adaptados para a defesa pessoal”, explicou a professora.

A proposta é que as participantes adquiram conhecimentos básicos que possam contribuir para sua segurança em situações de perigo, sem a necessidade de experiência prévia em modalidades esportivas ou de luta.

“O objetivo é proporcionar às mulheres conhecimento, confiança, autonomia e ferramentas básicas para reconhecer situações de risco e buscar uma oportunidade segura de escapar”, pontuou Indara.

Participante destaca importância da iniciativa

Aos 52 anos, Helena Miranda dos Santos participou pela primeira vez de uma aula de defesa pessoal. Assistida pelo Nudem há cerca de 15 dias, ela conta que a vontade de aprender a se defender foi o principal motivo para participar da atividade.

Para Helena, a experiência foi importante por permitir o contato prático com técnicas que podem ser utilizadas em situações de violência.

“Foi muito gratificante participar dessa aula hoje. Aprendi algumas técnicas, e o que me motivou a participar foi a vontade de aprender a me defender, realmente. Foi uma experiência muito boa. Se eu tivesse tido essa experiência antes, não teria acontecido o que aconteceu. Eu teria tido alguma noção para me defender”, relatou.

Após a primeira aula, ela manifestou interesse em continuar participando dos encontros mensais. A experiência também mostrou, segundo a participante, a importância de aprender e praticar técnicas de autodefesa.

“Acho muito importante essa aula, porque a gente aprende a se defender. A gente acha que sabe de tudo, mas aqui a gente aprende realmente a se defender”, afirmou.

Nudem oferece atendimento especializado às mulheres

Além das atividades de defesa pessoal, o Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher oferece atendimento especializado às mulheres que precisam de orientação jurídica e assistência para acessar a Justiça.

A equipe é formada exclusivamente por mulheres e conta com defensoras públicas, psicóloga e assistentes sociais. O atendimento é humanizado e individualizado, com acompanhamento das demandas apresentadas pelas assistidas.

O núcleo é liderado pelas defensoras públicas Caroline Braz, Carol Rocha e Karlla Queiroz e atua no acolhimento e na defesa dos direitos das mulheres, especialmente em situações de violência doméstica.

O Nudem funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 14h, na avenida André Araújo, nº 7, bairro Adrianópolis, em Manaus.

O agendamento pode ser realizado presencialmente na unidade ou pelo WhatsApp da Defensoria Pública do Amazonas, no número (92) 98559-1599.

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