domingo, agosto 23

Morre Manoel Dias, dirigente histórico e fundador do PDT

Morreu na noite deste sábado (22) Manoel Dias, secretário-geral nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), presidente da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini (FLB-AP) e presidente do PDT de Santa Catarina. Ele também foi ministro do Trabalho e Emprego durante o segundo mandato da ex-presidente da República Dilma Rousseff.

A morte de Manoel Dias foi lamentada pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que destacou a importância do dirigente para a história do partido e do trabalhismo brasileiro.

“Hoje nos despedimos do dirigente, fundador do PDT e quem tive a alegria de chamar de amigo Manoel Dias. Sua luta pelo Trabalhismo e seu legado na construção dos núcleos de base vão seguir norteando os passos do nosso partido e inspirando as novas gerações. Ao lado de Brizola, Darcy, Jango e Getúlio, nosso eterno Maneca se junta para olhar e zelar pelo nosso partido de onde estiver”, afirmou Lupi.

Trajetória marcada pela luta e defesa da democracia

Natural de Criciúma (SC), Manoel Dias era filho de Anselmo Fortunato Dias e Cândida Borges Dias. Iniciou sua vida pública ainda na década de 1960, como líder estudantil.

Em 1962, foi eleito para seu primeiro cargo político, como vereador de Içara (SC), pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Dois anos depois, teve o mandato cassado após o golpe militar de 1964 e permaneceu preso durante 11 meses.

Em 1965, participou da fundação do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Santa Catarina. Posteriormente, foi eleito deputado estadual para a 6ª Legislatura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, correspondente ao período de 1967 a 1971.

Com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1969, Manoel Dias voltou a ser cassado e teve os direitos políticos suspensos por dez anos.

Durante esse período, graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1970, e passou a exercer a advocacia em Criciúma.

Anistia e fundação do PDT

Após a anistia política, em 1979, Manoel Dias mudou-se para Florianópolis com o objetivo de participar da recriação do PTB. No ano seguinte, porém, o partido foi registrado pelo grupo político ligado a Ivete Vargas.

Diante da necessidade de construir uma legenda identificada com o trabalhismo histórico, Manoel Dias se juntou, no início dos anos 1980, a Leonel Brizola e outras lideranças para fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT).

A partir de então, construiu uma trajetória diretamente ligada à organização e ao fortalecimento da legenda, especialmente na formação dos chamados núcleos de base.

Participação em governos e eleições

Manoel Dias disputou diferentes eleições ao longo de sua carreira. Foi candidato a deputado estadual em 1982, a governador de Santa Catarina em 2006 e a vice-governador em 2010, mas não foi eleito.

Na década de 1990, participou do governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, quando ocupou o cargo de diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj).

Sua atuação política, entretanto, permaneceu fortemente vinculada à organização partidária e à defesa das bandeiras históricas do trabalhismo.

Ministro do Trabalho no governo Dilma

Em 15 de março de 2013, Manoel Dias assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego no governo da então presidente Dilma Rousseff.

Em 31 de dezembro de 2014, sua permanência à frente da pasta foi confirmada para o segundo governo Dilma. Durante o segundo mandato, enfrentou os impactos da crise econômica iniciada em 2014 e seus reflexos sobre o mercado de trabalho.

Na época, Dias avaliava que o aumento do desemprego poderia ser revertido no segundo semestre de 2015 por meio da retomada de setores como o automobilístico e a construção civil.

Entre as estratégias citadas pelo ministro estavam a ampliação das exportações de veículos para o México e outros países da América Latina e os investimentos previstos pelo governo federal na construção de unidades habitacionais populares.

Legado no trabalhismo brasileiro

Ao longo de mais de seis décadas de vida pública, Manoel Dias manteve sua atuação ligada aos ideais trabalhistas que marcaram sua trajetória desde a juventude.

Sua história foi marcada pela resistência à ditadura militar, pela cassação de mandatos, prisão e suspensão de direitos políticos, sem que abandonasse a defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores.

Como um dos fundadores do PDT e dirigente histórico da legenda, Manoel Dias também teve papel importante na construção e organização dos núcleos de base do partido.

Sua trajetória deixa um legado de participação política, resistência democrática e defesa do trabalhismo, permanecendo como parte da história do PDT e da política brasileira.

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