Manaus amplia atendimento para profilaxia da raiva humana em 24 unidades de saúde

Novas unidades passam a oferecer o serviço após capacitação de profissionais; três USFs da zona Oeste terão atendimento completo até o fim de setembro
Profilaxia da raiva em Manaus chega a 24 unidades

De janeiro a julho de 2026, Manaus registrou 2.669 atendimentos relacionados à profilaxia da raiva humana, segundo dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (Sinan-Net). O levantamento reúne atendimentos de pessoas que procuraram unidades de saúde após agressões por animais potencialmente transmissores da doença e também casos de profilaxia pré-exposição para profissionais e estudantes que mantêm contato com animais.

Para ampliar o acesso da população ao serviço, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), realizou nesta quinta-feira, 3/9, mais uma etapa de capacitação de profissionais da Unidade de Saúde da Família (USF) Adalgiza Barbosa de Lima, no bairro Lírio do Vale, zona Oeste.

A atividade marcou a conclusão da etapa prática do treinamento sobre a aplicação da vacina antirrábica. A capacitação foi conduzida por uma equipe do Distrito de Saúde (Disa) Oeste.

Rede municipal terá 24 unidades com profilaxia

O Disa Oeste também está concluindo o processo de implantação do serviço nas USFs Ajuricaba, no bairro Ajuricaba, e Santos Dumont, no bairro da Paz.

Com a ampliação, a rede municipal de saúde passará a contar com 24 unidades oferecendo profilaxia da raiva humana.

A chefe em exercício do Núcleo de Imunização do Disa Oeste, enfermeira Giovanna Mendes Maia, explicou que a capacitação na USF Adalgiza Barbosa encerra o processo iniciado em agosto, quando os profissionais participaram da etapa teórica.

“A zona Oeste de Manaus conta com cinco unidades de saúde de referência para a profilaxia da raiva humana e passará para oito, atendendo um território dessa zona de Manaus que ainda não contava com o serviço”, informou.

Atendimento define necessidade de vacina e soro

A profilaxia da raiva humana reúne procedimentos destinados a reduzir o risco de desenvolvimento da doença após uma possível exposição ao vírus. Dependendo da avaliação realizada pela equipe de saúde, o atendimento pode incluir a aplicação de vacina antirrábica e soro.

Durante o treinamento, os profissionais receberam orientações sobre os esquemas vacinais para situações de pré-exposição, pós-exposição e reexposição ao vírus. Também foram abordados temas como condutas de atendimento, contraindicações, eventos adversos e registro das vacinas no Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC).

“O esquema vacinal para pré-exposição, pós-exposição e reexposição é diferente em cada caso. A profilaxia pré-exposição, direcionada para profissionais que trabalham com animais ou em laboratórios, que apresentam risco de exposição ao vírus, tem um esquema recomendado de duas doses. No caso de agressão por animais, na pós-exposição, dependendo da avaliação pela equipe de saúde, o esquema vacinal é de quatro doses”, explicou Giovanna Maia.

Triagem avalia cada caso

Pessoas que procuram uma unidade de saúde após serem agredidas por animais que podem transmitir a raiva, como cães, gatos e morcegos, passam por uma avaliação realizada pela equipe de saúde.

Segundo Giovanna Maia, a triagem considera fatores como a possibilidade de observação do animal, o tipo de agressão e o local da lesão.

“Na triagem, é verificado se o animal é observável ou não, o tipo e local da lesão. A partir dessa avaliação, há a definição de vacina ou não, e se é indicada a aplicação também do soro”, esclareceu.

A avaliação individual é importante para determinar quais medidas de profilaxia são necessárias em cada situação.

Atendimento mais próximo facilita acesso

Para a enfermeira Jane Barreira Mota, integrante da equipe da USF Adalgiza Barbosa, a oferta da profilaxia na própria unidade deve facilitar o acesso dos moradores e melhorar o acompanhamento dos pacientes.

“A USF já recebe pessoas que procuram o atendimento, mas que eram encaminhadas para as Unidades de Saúde de referência. Tendo o serviço em mais Unidades de Saúde, fica mais fácil para a comunidade. Com o atendimento próximo de casa, fica mais fácil e rápido fazer a avaliação do caso e ter acesso à profilaxia, e os profissionais de saúde podem acompanhar melhor a evolução do paciente, inclusive o cuidado com as lesões”, destacou Jane Mota.

O Disa Oeste realizou nesta quinta-feira o treinamento na sala de vacina da USF Santos Dumont e conclui a capacitação nesta sexta-feira, 4/9, com os profissionais da USF Ajuricaba.

A partir de 14/9, as três unidades começarão a receber mensalmente o imunobiológico utilizado na profilaxia da raiva. A previsão é que as USFs Adalgiza Barbosa, Santos Dumont e Ajuricaba estejam com a oferta completa do serviço até o final de setembro.

Raiva é uma doença geralmente letal

A raiva é uma zoonose causada por um vírus que atinge o sistema nervoso central e é geralmente letal. A doença pode ser transmitida por mamíferos contaminados, tendo entre os principais transmissores cães, gatos e animais silvestres, especialmente morcegos e macacos.

A infecção é caracterizada como uma encefalite progressiva e aguda. A transmissão para seres humanos pode ocorrer por meio de mordeduras, arranhaduras ou lambeduras provocadas por mamíferos infectados.

Em Manaus, de janeiro a julho de 2025, o Sinan registrou 5.265 atendimentos antirrábicos relacionados a agressões por animais ou situações de pré-exposição.

Para informações sobre o Programa de Profilaxia e Controle da Raiva Humana, a população pode consultar a página da Semsa.

By ContextoAm

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