Calor e estiagem aumentam risco de doenças diarreicas em Manaus

Semsa orienta população sobre prevenção, hidratação e sinais de desidratação durante o período de altas temperaturas
Doenças diarreicas em Manaus: veja como prevenir

O calor intenso e a estiagem que acompanham o verão amazônico aumentam o risco de doenças diarreicas agudas, que podem se tornar mais frequentes nesse período, principalmente em situações envolvendo o consumo ou uso de água contaminada.

Profissionais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), da Prefeitura de Manaus, orientam a população sobre medidas de prevenção e cuidados diante de infecções que podem afetar o trato gastrointestinal.

Falta de água tratada aumenta risco de contaminação

De acordo com a gerente de Ciclos de Vida da Semsa, Patricia Rombaldi, a dificuldade de acesso à água tratada pode contribuir para o aumento dos casos, especialmente entre populações que vivem em áreas ribeirinhas.

“Quanto menos água disponível, maior o uso de água não tratada, para higiene das mãos e lavagem de alimentos, e com isso aumenta o risco de contaminações”, explica.

A profissional destaca que as crianças estão entre as mais suscetíveis às doenças do trato intestinal, principalmente pelo hábito de levar as mãos à boca e pela dificuldade de manter uma higiene adequada.

“Mas, todas as pessoas devem ficar atentas a casos de diarreia e sinais de desidratação, em especial em crianças e idosos, que são mais vulneráveis e podem se desidratar rapidamente”, alerta Patricia.

Vírus e bactérias podem provocar infecções

A médica generalista da Semsa, Natália Sampaio, explica que a contaminação por vírus, bactérias e outros microrganismos, associada à falta de higiene adequada das mãos e dos alimentos, pode provocar infecções intestinais.

Além das doenças diarreicas, a contaminação também pode estar relacionada à hepatite A e a verminoses, como a oxiuríase, conhecida popularmente como “tuxina”.

“Essas doenças podem causar diarreia e outros sintomas gastrointestinais, como dores abdominais, cólicas, vômitos, febre, além da desidratação”, aponta a médica.

Desidratação é um dos principais riscos

A perda excessiva de água provocada pelas evacuações frequentes e amolecidas é um dos principais riscos associados à diarreia. O problema pode ser agravado pelas altas temperaturas registradas nas últimas semanas.

“A diarreia frequente pode causar uma perda de água maior do que a que é consumida. Dependendo do caso, a pessoa precisa se reidratar num ambiente hospitalar, para repor eletrólitos e ficar em observação. E, se houver infecção, deverá também receber antibióticos”, ressalta Natália.

Entre os sintomas que merecem atenção estão evacuações pastosas ou líquidas, enjoo, dores abdominais e cólicas.

A orientação é procurar uma Unidade de Saúde da Família (USF) logo no início dos sintomas para triagem e avaliação médica.

Em situações mais graves, mesmo que a pessoa esteja utilizando algum medicamento, a recomendação é procurar um hospital ou Serviço de Pronto Atendimento (SPA).

“Por exemplo, uma criança com diarreia que exibe letargia ou cansaço, sintomas de uma desidratação avançada, deve ir para um SPA ou hospital, pois provavelmente vai precisar de hidratação”, explica a médica.

Higiene das mãos e dos alimentos ajuda na prevenção

A prevenção das doenças diarreicas está diretamente relacionada aos cuidados com a água, as mãos e os alimentos consumidos pela população.

Segundo Natália Sampaio, famílias que não possuem acesso à água tratada podem utilizar hipoclorito de sódio para purificar água de poços ou de outras fontes.

“Se a família não tem acesso à água tratada, pode purificar água de poços ou outras fontes com hipoclorito de sódio, que é fornecido gratuitamente nas unidades básicas, inclusive por meio dos agentes comunitários de saúde”, orienta.

A higienização adequada das mãos antes das refeições e durante o preparo dos alimentos também é uma das principais medidas para reduzir o risco de contaminação.

Hidratação deve ser reforçada

Para quem já apresenta diarreia ou outros sintomas gastrointestinais, a recomendação é procurar atendimento de saúde e reforçar a hidratação.

A reposição de líquidos pode ser feita com água filtrada ou purificada. Alimentos com alto teor de água, como melão e melancia, também podem contribuir para a hidratação.

As farmácias da rede básica de saúde disponibilizam, mediante prescrição de profissional de saúde, sais para reidratação oral, utilizados para repor água e minerais perdidos pelo organismo.

“A simples hidratação contribui para a melhora e pode prevenir uma gravidade maior da doença. Importante ainda monitorar a temperatura corporal, a fim de detectar uma possível infecção, buscar a unidade básica e iniciar logo o tratamento”, conclui Natália Sampaio.

By ContextoAm

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