A Prefeitura de Coari apresentou, na sexta-feira (18), o Plano Tático Operacional de Enfrentamento à Estiagem 2026 e instituiu o Comitê Municipal de Gerenciamento de Crises e Desastres. A iniciativa reúne secretarias municipais e equipes técnicas para antecipar medidas, organizar a logística e ampliar a capacidade de resposta diante dos impactos do período de seca no município.
A reunião de alinhamento intersetorial foi realizada pela Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social (SMSPDS), com coordenação técnica e operacional do Departamento Municipal de Proteção e Defesa Civil. O encontro marcou o início de um planejamento conjunto envolvendo diferentes áreas da administração pública, com ações de prevenção, mitigação, preparação, resposta e recuperação.
Planejamento considera comunidades ribeirinhas
O plano leva em consideração as características geográficas de Coari e a dependência da população ribeirinha do transporte fluvial.
Atualmente, o município possui 190 comunidades rurais cadastradas, distribuídas pelas regiões do Médio Solimões, Lago de Coari, Alto Solimões, Baixo Solimões, Rio Copeá, Lago do Mamiá e Rio Piorini. Nessas localidades estão registradas 6.359 famílias, que dependem do transporte fluvial para atividades de subsistência e acesso a serviços.
Durante a apresentação, a Defesa Civil destacou que o cenário de calor intenso e redução das chuvas exige monitoramento permanente e planejamento antecipado.
A redução dos níveis dos rios pode comprometer a navegabilidade, dificultar o acesso às comunidades e provocar impactos no abastecimento, na saúde, no meio ambiente, na infraestrutura e na economia.
O planejamento também considera a possibilidade de eventos associados ao período de estiagem, como incêndios florestais e urbanos, baixa umidade, erosão de margens e outros desastres que podem ampliar os impactos sobre a população.
Monitoramento e estrutura de resposta
Entre as estratégias previstas está o fortalecimento da inteligência operacional, com acompanhamento dos níveis dos rios, coleta de informações em campo, elaboração de boletins situacionais e utilização do sistema Defesa Civil Alerta, integrado a uma rede multicanal de comunicação de risco.
A administração municipal também estruturou antecipadamente parte dos recursos necessários para uma eventual resposta emergencial.
A previsão inclui 10 mil cestas básicas, 7.500 caixas d’água com capacidade para 500 litros, 10 mil galões de água mineral, 7.500 kits de higiene e limpeza, além de kits dormitório, com colchões e redes.
Comitê terá atuação integrada
A criação do Comitê Municipal de Gerenciamento de Crises e Desastres busca coordenar, planejar e monitorar ações de prevenção, mitigação e resposta diante de situações de emergência.
A proposta é integrar as diferentes secretarias municipais para que cada área atue de acordo com suas respectivas responsabilidades, permitindo uma resposta coordenada diante de eventuais ocorrências.
Para o diretor municipal de Proteção e Defesa Civil, Wesley Fontelles, o monitoramento antecipado é necessário diante das condições climáticas previstas para a região.
“Nós sabemos que estamos passando por um fenômeno chamado El Niño, e esse fenômeno ocasiona, na nossa região, um aumento no número de focos de incêndio, um aumento do calor no município e uma redução extrema das chuvas no município”, afirmou.
O secretário municipal de Segurança Pública e Defesa Social, Rodrigo Alves, destacou que o planejamento busca preparar o município antes de um possível agravamento dos impactos.
“Coari tem que se antecipar, sair na frente. Estamos participando exatamente disso: de uma ação voltada para montar um planejamento rápido e emergencial, para que a Prefeitura esteja preparada para o que vem pela frente, especialmente diante da estiagem e dos efeitos do El Niño”, destacou.
Com a integração das secretarias e o planejamento antecipado, a Prefeitura de Coari pretende reduzir os impactos da estiagem e assegurar uma resposta rápida às necessidades da população urbana e, principalmente, das comunidades ribeirinhas.





