
O município de São Paulo de Olivença (AM) encerrou, nesta sexta-feira (10), o Desafio de Ideias Inovadoras. Com o tema “Inovar com Propósito: Soluções locais, impactos reais”, a iniciativa mobilizou o território da Tríplice Fronteira do Alto Solimões entre os dias 7 e 10 de abril. O evento foi realizado pelo IFAM Campus Tabatinga, com apoio do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).
O objetivo central foi fortalecer o ecossistema de inovação e incentivar a criação de soluções sustentáveis voltadas à bioeconomia. A ação integra o Programa Fronteira Integrada (PFI) e a estratégia BioRegio, que priorizam a Faixa de Fronteira Amazônica para o desenvolvimento de políticas públicas regionais.
Capacitação e Impacto na Produção Local
Durante quatro dias, agricultores familiares, artesãos, pescadores e microempreendedores participaram de mentorias em áreas como agrobiodiversidade e economia circular. O produtor Jucelino Sales destacou a importância prática do aprendizado: “Aprendemos sobre doenças da banana e como manejar a plantação. O que aprendi vai ajudar na renda da minha família”, afirmou.
As equipes utilizaram metodologias modernas, como Design Thinking e modelo Canvas, para transformar problemas locais em modelos de negócios viáveis. O Desafio de Ideias Inovadoras funciona como um indutor de bioeconomia, conectando o conhecimento acadêmico às necessidades das comunidades da floresta.
Investimentos e o Centro Mapati
A iniciativa está diretamente ligada à implementação do Centro Mapati de Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento Sociobioeconômico do Alto Solimões. O projeto conta com um investimento de R$ 5,4 milhões, fruto de uma parceria entre o MIDR e o IFAM.
O Centro Mapati foca em três eixos principais:
- Capacitação técnica;
- Desenvolvimento de novos produtos;
- Apoio à criação de empreendimentos.
Segundo o secretário Daniel Fortunato, o foco é estruturar centros de inovação que transformem o bioma em ativos econômicos sustentáveis.
Ecossistemas de Inovação na Amazônia e no Brasil
A estratégia do MIDR para criar um desenvolvimento regional sólido inclui outros projetos estratégicos. Além do Centro Mapati, o território conta com o Parque Científico e Tecnológico do Alto Solimões (PACTAS) e a incubadora Inpactas.
Fora do Amazonas, o modelo se expande para o Pará, com foco na cadeia do cacau no Xingu, e para a fronteira com o Uruguai, onde o Parque Tecnológico Binacional de Sant’Ana do Livramento–Rivera deve captar cerca de R$ 40 milhões via Mercosul. Essas ações visam integrar as regiões periféricas do país ao mapa da inovação tecnológica e sustentável global.

