Uma cratera com mais de 350 metros de extensão e o fornecimento irregular de água preocupam moradores do Conjunto Cidadão IX, no Distrito Industrial II, Zona Leste de Manaus. A erosão, que avança em meio a um vazamento constante em uma bomba de água de um poço da concessionária Águas de Manaus, representa um risco para as residências e para a infraestrutura da região.
Morador do conjunto, Carlos Luiz, de 48 anos, acompanha diariamente o avanço da cratera da porta de sua casa. Segundo ele, a água que vaza continuamente contribui para o agravamento da erosão, que já ameaça estruturas próximas.
“A gente observa que a cratera aumenta com essa água que cai 24 horas por dia. Perto tem uns postes, uns transformadores, que podem cair a qualquer momento. É um risco”, declarou.
Diante da situação, moradores do conjunto, conhecido popularmente como Conjunto Lula, procuraram a Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPAM). Nesta quarta-feira (30), uma equipe técnica da instituição esteve no local e identificou problemas de manutenção nos dois poços, na caixa-d’água e no sistema de esgoto que atende aproximadamente 500 casas.
A vistoria foi realizada pela equipe de engenharia da Defensoria Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC). Segundo o defensor público Carlos Almeida Filho, titular da unidade, os técnicos deverão apresentar um laudo com os problemas identificados em até dez dias.
Defensoria busca solução com concessionária e órgãos públicos
Após a conclusão do laudo técnico, a Defensoria pretende discutir os problemas identificados com a Águas de Manaus, a Secretaria de Estado de Habitação e Urbanismo do Amazonas (Sehurb) e a Defesa Civil.
Uma reunião com os órgãos envolvidos ainda será agendada. O objetivo é buscar uma solução consensual para os problemas de infraestrutura, abastecimento de água e saneamento, evitando, inicialmente, a necessidade de uma ação judicial.
“O levantamento técnico feito pela Defensoria será apresentado em uma reunião com a concessionária de água e os órgãos públicos envolvidos. A ideia é buscar uma solução consensual para o problema, sem a necessidade de judicialização do caso”, afirmou Carlos Almeida Filho.
Moradores denunciam falta de água e contas elevadas
Além da erosão, a interrupção frequente do abastecimento de água é uma das principais reclamações dos moradores do Conjunto Cidadão IX.
Frank Costa, de 55 anos, vive com a família, formada por cinco pessoas, e relata que as interrupções no fornecimento ocorrem quase diariamente, principalmente a partir do fim da manhã. Apesar da falta de água, ele afirma que as contas aumentaram significativamente nos últimos meses.
Segundo o morador, a fatura chegou a R$ 911 em maio e a R$ 647 em junho. Antes dos aumentos, a família pagava, em média, R$ 250 por mês.
“Fica muito difícil, porque a gente precisa carregar água todos os dias e encher os baldes. Mesmo assim, a conta está muito alta, chega a R$ 600 e até R$ 900. Eles vieram aqui e, sem avisar, trocaram o contador”, disse.
O morador também questiona a troca do hidrômetro e a cobrança de valores elevados, mesmo diante das constantes falhas no abastecimento.
Comunidade reclama de problemas de infraestrutura há 18 anos
Os problemas enfrentados pelos moradores não se limitam à erosão e à falta de água. Gabriela Souza, de 29 anos, que vive no conjunto habitacional há 18 anos, afirma que a comunidade convive há muito tempo com dificuldades de infraestrutura e ausência de melhorias.
Segundo ela, desde a entrega do conjunto pela Superintendência Estadual de Habitação (Suhab), foram poucas as intervenções realizadas para melhorar as condições do local.
“Convivemos com isso há 18 anos e ninguém olha pela gente. O conjunto foi construído ao lado dessa erosão, vivemos com falta de água e, além disso, não temos limpeza pública e estamos há tempos buscando tarifa social para os serviços”, afirmou.
A moradora também cobra melhorias na limpeza pública e a ampliação do acesso à tarifa social para os serviços essenciais.
Com a vistoria realizada, a Defensoria Pública pretende reunir informações técnicas para cobrar providências dos órgãos responsáveis e da concessionária. A expectativa é que o diálogo entre as instituições permita encontrar soluções para os problemas que afetam as famílias do conjunto habitacional.





