Defensoria atende 63 famílias em ação de regularização fundiária em Rio Preto da Eva

Projeto Mãe Terra busca garantir segurança jurídica para moradores do Quilombo Raio de Sol e facilitar o acesso a investimentos para a produção agrícola
Regularização do quilombo atende 63 famílias

Há quatro anos, Genilson Nascimento vive no Quilombo Raio de Sol, localizado no quilômetro 118 da AM-010, em Rio Preto da Eva. No local, o agricultor cultiva couve, abóbora, pimentão e tomate-cereja, mas enfrenta dificuldades para ampliar a produção por não possuir a documentação da terra onde mora e trabalha.

Sem a regularização fundiária, Genilson não consegue acessar financiamentos para investir em equipamentos e estruturas que poderiam aumentar a capacidade produtiva.

Nesta sexta-feira (11), ele foi uma das pessoas atendidas durante uma ação do projeto Mãe Terra, da Defensoria Pública do Amazonas (DPAM), voltado à prestação de assistência jurídica fundiária a comunidades tradicionais.

Ao todo, 63 famílias foram alcançadas pela iniciativa, que busca avançar na regularização da área e ampliar a segurança jurídica dos moradores do quilombo.

“Com essa ação, nós temos mais segurança. Quando você tem isso, você pode investir mais na terra. Isso aqui é um ponto de esperança para poder melhorar”, afirmou Genilson.

Regularização pode ampliar acesso a investimentos

A ação foi acompanhada pelo defensor público geral do Amazonas, Rafael Barbosa. Ele destacou o potencial produtivo da comunidade e ressaltou que a regularização da terra pode permitir que os moradores tenham acesso a recursos para desenvolver suas atividades.

“Encontramos aqui uma comunidade que tem tudo para produzir, mas falta financiamento. E a Defensoria, trazendo a regularização, pode trazer autonomia para uma comunidade inteira”, afirmou.

O projeto Mãe Terra é uma iniciativa voltada à promoção e à garantia de direitos relacionados à terra, ao território e à sustentabilidade, especialmente para populações vulneráveis e comunidades tradicionais.

No Quilombo Raio de Sol, a estratégia jurídica busca construir uma solução coletiva para a regularização da área, que está localizada em terras privadas.

Usucapião coletivo

De acordo com o coordenador do Núcleo de Moradia e Regularização Fundiária (Numaf), defensor público Thiago Rosas, a atuação da Defensoria busca transformar a situação de posse vivenciada pelos moradores em segurança jurídica.

“São pessoas que querem produzir. É um povo que quer trabalhar, quer ganhar o seu sustento de forma honesta. A nossa felicidade é poder transformar a posse dos produtores em propriedade”, declarou.

Segundo o defensor, o caminho jurídico adotado será o usucapião coletivo. A estratégia considera a identidade e a organização coletiva da comunidade quilombola e busca preservar essas características durante o processo de regularização.

A medida também representa um passo importante para o reconhecimento da comunidade pela Fundação Cultural Palmares.

Moradores relatam insegurança sobre território

Presidente da comunidade, Elisângela Oliveira vive há nove anos no Quilombo Raio de Sol, onde passou a morar com a família. Segundo ela, os moradores convivem há anos com o receio de perder o território onde construíram suas vidas e desenvolvem atividades produtivas.

“Várias vezes, pessoas vieram nos intimidar, dizendo que são donos da terra, mas não mostram documentos. Nós vivemos com medo, mas estamos aqui lutando para manter o nosso quilombo e não sairmos daqui”, relatou.

A atuação do projeto Mãe Terra no Quilombo Raio de Sol busca, portanto, não apenas avançar na regularização fundiária, mas também fortalecer a segurança jurídica, a autonomia econômica e a permanência das famílias no território onde vivem.

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