Farmácia em Manaus é notificada por gravar conversas de clientes sem opção de recusa

Fiscalização da Defensoria Pública e do Procon identificou falhas na transparência sobre dados pessoais e deu prazo de 15 dias para adequações.
Farmácia em Manaus é notificada por gravar clientes

Uma farmácia da zona Leste de Manaus foi notificada após uma fiscalização identificar a gravação de conversas de clientes nos balcões de atendimento sem a possibilidade de recusa. A vistoria foi realizada nesta quarta-feira (14) pela Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) e pelo Procon Manaus, que também encontraram falhas na transparência sobre o uso de dados pessoais.

O estabelecimento terá 15 dias para adequar seus procedimentos. A ação marca o início de uma série de fiscalizações destinadas a verificar o cumprimento das recomendações feitas em agosto às redes de farmácias e drogarias que atuam no Amazonas.

Segundo o defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador da Defensoria Digital, embora houvesse uma placa informando sobre a gravação de áudio, os consumidores não tinham a opção de recusar a coleta da voz.

A preocupação envolve o possível uso de inteligência artificial e o armazenamento de dados biométricos, considerados sensíveis, sem informações suficientemente claras sobre a finalidade e o tratamento dessas informações.

Fiscalização identifica falhas na proteção de dados

Durante a vistoria, as equipes também identificaram problemas na comunicação sobre o uso de informações pessoais, incluindo o histórico de compras, e a ausência de um encarregado de dados responsável por orientar e acompanhar a adequação da empresa à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A chefe da fiscalização do Procon Manaus, Danielma Coelho, informou que o cronograma prevê visitas a unidades de grandes redes de farmácias em diferentes zonas da capital. Quando são constatadas irregularidades, os estabelecimentos recebem um documento com as correções necessárias e o prazo para realizá-las.

CPF não deve ser exigido para conceder descontos

A recomendação expedida em 11 de agosto pela Defensoria Pública e pelo Procon Manaus orienta as farmácias a não condicionarem a concessão de descontos ao fornecimento do CPF dos consumidores.

O documento também recomenda a revisão das políticas de privacidade e a adoção de práticas transparentes para informar como os dados pessoais são coletados e utilizados, conforme a LGPD e o Código de Defesa do Consumidor.

A iniciativa foi motivada por notícias sobre o possível compartilhamento ou a comercialização de CPFs coletados por farmácias com empresas de marketing, para direcionar ofertas e campanhas comerciais sem o consentimento dos titulares.

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